DE LEVE Christian Casertani é o melhor escritor em atividade no Brasil, em 2026.
https://www.instagram.com/p/DX_2gBHDX9t/
V. “EU GOSTO DE XIDEBA, FILME POIBIDO”, POR MITIKO, A JAPONESA DO JUQUERI, DANDO SEU DEPOIMENTO A GOULART DE ANDRADE A propósito, os filmes do Paulino Tarraff. O cara era um médico da Vila Mariana que filmava por hobby/robe de chambre. Tudo nos filmes dele é extraordinário – a concepção, os registros casuais, as montagens, as trilhas sonoras (Agon, de Igor Stravinsky, nos vídeos que mostram casas agônicas e demolições na Vila Mariana, em 1988). Eu recomendo todos os filmes do Tarraff. Mas esse aí do link acho particularmente esplêndido.
https://youtu.be/zEq3x8q_1A0?si=VXAW4S2VZnZx4fku
FILMES “DE VEADO” Os imorais, de Geraldo Vietri, e Uma verdadeira história de amor, de Fauzi Mansur. Os imorais, 1979, é um dramalhão sobrecarregado que tem no excesso tanto sua falha quanto sua distinção. Uma verdadeira história de amor, 1971, é sutil, psicologicamente manipulador e, por isso, divertidamente perverso.
ATRIZ PORNOGRÁFICA Melaine Hicks empatada com Gigi Dior.
OUVIDORIA Lapadas do povo, Raimundos, 1997.
RODOLFO ABRANTES Gosto muito do Rodolfo. O curioso é que tive um contato bem indireto com ele lá por 1995, 96. Eu era amigo de um primo do Rodolfo – não, não era nem o Augusto nem o Berssange, era o Braz, Braz Marinho Júnior. Braz era artista plástico e Rodolfo sempre ia a seus vernissages. Eu achava o Rodolfo um cara bem na dele. Nem simpático nem antipático. Ele agia como quem sabia perfeitamente que, onde quer que ele entrasse, todo mundo iria sussurrar, “olha lá, o cara dos Raimundos!”. A despeito de uma impressão aqui, outra ali, o fato é que na época não pude formar uma opinião consistente sobre ele. Acho que sequer acompanhei direito a coisa de ele “virar crente”, em 2001, e deixar a banda. Sei lá. Em algum momento, muitos anos depois, vi uma entrevista dele e gostei muito. Gosto quando o Rodolfo conta a história de sua conversão religiosa, a cura milagrosa de uma doença grave (fortes indícios de um câncer de estômago), em suma, gosto do relato dramático do homem que teve de lidar com o extraordinário e suas consequências irreversíveis todas. Rodolfo sempre me parece bastante íntegro e pleno no que diz. (Acho que até o fato de Deus, o Onipotente, ter feito contato com Rodolfo Abrantes por meio do esgoto que, de forma geral, é o pentecostalismo faz parte da grandeza dessa história toda. Sim-sim, não há grandeza sem contraste, e de preferência contraste brutal. Evangelho de Rodolfo Abrantes, capítulo 3, versículo 14.)
MORTOS EPPUR SI MUOVE Perdemos uma aposta para o Marcilio Múmia Paralítica e Marcílio escolhe ir comer no Jack in the Box da Praça Panamericana. (A propósito, soube que o Restaurante Senzala mudou de nome para Senzzi. Etc., etc.) Seguimos pela Fonseca Rodrigues no Opala placa UZ-6869. Paramos o carro e o flanelinha vem nos achacar e o André paga o flanelinha com uma flanela nova. Marcílio come no Jack quatro tacos mexicanos. Depois levamos o Marcílio ao Senzala e ele come feijoada. Depois levamos o Marcílio ao restaurante do Ceasa, na Gastão Vidigal, e ele come peixe pintado e bebe duas garrafas de Chateau Duvelier. Observo o quadro com a fotografia oficial do presidente Ernesto Geisel. Estamos em 1978 e estamos em 2026. Marcílio morreu em 2000, ao tomar um choque numa cafeteira elétrica que teve a voltagem e a amperagem desreguladas por causa do bug do milênio. Eu morri em 2007 ou 2008, não me lembro direito. O tempo é uma prisão (filmes exploitation de mulheres presas), mas a eternidade é uma prisão ainda mais avassaladora.
Tchu-tchu-bee-doo-wah.
08/05/2026