OUVIDORIA Karn evil 9, Emerson, Lake & Palmer ou: FCK CNV (foda-se o carnaval).
MULHER GOSTOSA Fabiola Natalio, uma jornalista esportiva argentina que começou a aparecer no meu Instagram. Em uma palavra: uau.
SÃO TRÊS LETRINHAS IGUAIS, SÓ MUDA O ACENTO Avô avó, Pequeno Cidadão. Legalzinha essa música.
PERDEU, PLAYBOY (CAPAS QUE INFELIZMENTE NÃO EXISTIRAM) Cornélia Herr, julho de 1987, e Sandra Pera, novembro de 1980. (Cornélia Herr fez um papel pequeno em Amor voraz, o filme que Walter Hugo Khouri rodou em 1984 numa antiga fundição de ferro, Fundição Ipanema, Iperó, São Paulo.)
LUGARES EXTINTOS Um bar chamado Espaço Raísa, na Rua Professor Atílio Innocenti, Itaim-Bibi. Início dos anos 1990. Ficava mais ou menos onde hoje existe o restaurante do Bob Esponja. Vi lá alguns shows do Arrigo Barnabé e do Música Ligeira (Mário Manga e Rodrigo Rodrigues). Num dos shows do Arrigo havia apenas eu e um casal assistindo.
CUIDE-SE BEM, TEM MIL SURPRESAS À ESPREITA Guilherme Arantes conta em entrevista que Elis Regina era uma namorada instável, que vez-sim-vez-não ele telefonava para ela e ela lhe dizia, à queima roupa, hoje não tem creche, ou seja, hoje eu não quero te ver, seu pirralho.
MIRCEA ELIADE Tenho, como o Mircea Eliade, uma espécie de imensa nostalgia dos momentos inaugurais das coisas.
ASSUM PRETO Uma síntese confusa. Festival de Verão, Guarujá, janeiro de 1981. Nós num apartamento alugado na Rua Mario Ribeiro, Edifício Aquarela (aquecimento central com caldeira movida a óleo diesel). Minha avó Ida passando férias conosco (seu aniversário de 64 anos, comemorado por aqueles dias). (Minha avó Ida, nascida em 1917, que tinha uma queda por rapazes cabeludinhos típicos dos anos 1970, como Guilherme Arantes e, sobretudo, Arrigo Barnabé.) Festival de Verão, show do Luiz Gonzaga, à noite, na praia. (Podem procurar que tem no YouTube.) Todo mundo em casa vai ao show, menos eu e o André, que está meio de castigo porque outro dia ficou cuspindo da janela da sala na cabeça do sujeito da loja de cadeados, em companhia de um menino que apelidamos de Papai Gordo. Etc., etc. Luiz Gonzaga toca Asa branca (ir a Roma e ver o papa, etc., etc.). João, com cinco anos, diz que é a música da vacina (Asa branca com a letra modificada, vem correndo meninada pra acabar com essa danada, foi usada na campanha de vacinação contra a pólio, em 1980). Logo eles voltam do show. Muito cheio, muita maconha. Etc., etc. Salto de janeiro de 1981 para fevereiro de 2026. Vejo uma entrevista que o Arrigo Barnabé, o crush da minha avó-1917, deu ao Marcelo Tas em 2022. Arrigo fala que um dia seu pai chegou do trabalho e colocou pra tocar na vitrola um disco do Luiz Gonzaga cantando Assum preto. Arrigo diz que começou a chorar por causa da música e sua letra infinitamente triste. (A primeira música que me levou a um estado fortemente introspectivo e me deu uma grande impressão de beleza, melancolia e solenidade foi The green leaves of summer, da trilha sonora da novela Estúpido Cupido.) Etc., etc. Termino de ver a entrevista e vou fazer meu treino de perna. Agachamento búlgaro (v. “K H 100 H CHÁ é ½ arriscado”), depois stiff. Coloco Assum preto pra tocar. Tudo em volta é só beleza, sol de abril e mata em flor, etc., etc. Tenho que parar o agachamento, porque a música está me fazendo rir de maneira descontrolada.
Etc., etc.
16/02/2026