BARRACUDAS DEPRIMENTES E HOMENS INTELIGENTES A ouvidoria hoje vai para a trilha sonora nacional da novela Sinal de alerta, exibida pela Rede Globo em 1978.
CAPAS DA PLAYBOY QUE NÃO EXISTIRAM, MAS QUE DEVERIAM Denise Bandeira, novembro de 1976. (Denise inexplicavelmente também não foi filmada pelo Walter Hugo Khouri.)
C. S. LEWIS Dou uma olhada em O grande divórcio, de C. S. Lewis. Sei lá. O livro não fala como aqueles livros que acabam sendo nossos amigos íntimos, sim-sim, amigos cheios de defeitos, mas com quem iríamos até o inferno, se fosse o caso. Fala como uma pessoa aparentemente amistosa que não demora a revelar-se meramente aliciadora. (C. S. Lewis é adorado pelo pessoal da Opus Dei. Faz sentido.)
OS PEDAR DA BICICRETA , ETC. ETC. Fui ciclista em São Paulo por sete anos. Sofri três acidentes, um potencialmente grave. Em decorrência disso, perdi o pique, desisti de pedalar. Até votei na Renata Falznoni na última eleição (nela e no Ricardo Nunes), por uma abstrata simpatia que ainda tenho à causa (se dependesse de mim eu baniria totalmente os carros do espaço público, proibiria a produção, etc., etc.). O fato incontornável é que bicicleta é um troço perigoso. Li há pouco a notícia sobre a morte de mãe e filho num acidente com uma dessas bicicletas elétricas, na Tijuca, Rio de Janeiro. (“Ei, presidente Lula, conjugue o verbo hospedar, presente do indicativo...”, “Essa é fácil, companheiro... os pedar da bicicreta...”.) Sei lá, bróder, sei lá... Sempre achei absurdo essa gente metida a lifestyle carregar criança em bicicleta. Se dependesse de mim, eu proibiria e estabeleceria castigo corporal aos infratores. Foi pego transportando criança em bicicleta? Quarenta chibatadas. Reincidiu? Sessenta.
DA CONHO É UM PERSONAGEM DO ROMANCE “V.”, DE THOMAS PYNCHON Instagram infestado de propagandas de supostos médicos que prescrevem maconha, de aplicativos para compra “100% legalizada” (o que é mentira), de jujubas de maconha (essa anunciada por um sujeito com a maior cara de chapado), tudo envolto num marketing ultra-agressivo que abusa da cor verde, do reggae e da credulidade alheia, proclamando a cannabis como panaceia. Se eu fosse maconheiro estaria envergonhado com a breguice e a canastrice da coisa.
CLÔ PARA OS ÍNTIMOS, VIL PARA OS DESAFETOS E DOU PARA TODOS Descubro que Seda pura e alfinetadas não foi um show de blábláblás do Clodovil Hernandez, mas uma peça de teatro, escrita (e interpretada) por ele e pela Leilah Assumpção, uma trama policial que começa quando o Clô nota que uma caneta francesa dele sumiu no atelier, que alguém provavelmente roubou, etc., etc. Imagino o Clodovil em cena meio como o personagem que o Paulo Villaça fez em A mulher de todos, Rogério Sganzerla, 1969, um sujeito trejeitoso lá que fica tendo chiliques e dizendo, “me roubaram, me roubaram, me roubaram!”.
(A Leilah Assumpção era muito gostosa, apesar do ar meio bife acebolado que ela tinha, assim como a Ítala Nandi era gostosa e bife acebolado.)
SORTEIO Jacinto Figueira Jr. ficou contando piada racista com a dentadura de Reverendo Moon. Odorico Paraguaçu jogou pó de pemba na perna mecânica de Carlos Imperial. Clóvis Bornay cagou o fígado na suruba de Elisângela. Pedro de Lara fumou maconha no bueiro de Moacyr Franco. Flávio Migliaccio jogou na areia movediça os dólares de Costinha.
Etc., etc.
31/03/2026